Pulseirinha (do sexo?) na escola

Tem sido grande a polêmica sobre a postura dos adultos frente as pulseirinhas coloridas que pré-adolescentes e adolescentes têm usado. Temos acompanhado na mídia muitas posições em relação ao assunto. No município de Navegantes, por exemplo, o prefeito  sancionou, na noite desta terça-feira (2/3), a lei que proíbe a utilização das chamadas "pulseiras do sexo" em escolas da rede municipal de ensino.

O que fazer? Proibir? Ignorar? Tratar como uma brincadeira?

Para quem não sabe, as pulseirinhas do sexo são as pulseiras finas, coloridas e de silicone, que começaram a aparecer nos braços de pré-adolescentes e adolescentes. Estes novos   adereços fazem parte de um jogo de conotação sexual. Cada cor representa um ato afetivo, ou sexual, que vai desde um abraço a relações sexuais completas. Em teoria, a pessoa que teve a pulseira arrebentada precisa cumprir o que comanda a cor. O jogo teve início na Inglaterra, conhecido como Snap e as pulseiras naquele país são chamadas de “shag bands” (“pulseiras do sexo”, em tradução livre).

Obviamente, aqui na Escola Autonomia, elas já apareceram. E,  nossa posição tem sido a de observar, conversar, refletir, esclarecer. Acreditamos que a proibição nesse momento, além de gerar mais curiosidade, vai fomentar a vontade de transgredir a regra.

Para a maioria dos alunos, usar as pulseiras não passa de uma brincadeira, eles nem sempre entendem a conotação do ato. Muitos usam por estar na moda, porque todo mundo está usando,  ou porque acham “bonitinhas”; alguns usam-nas “cruzadas” - o que significa dizer que não estão valendo; outros usam para combinar com suas roupas; outros porque acham divertido; outros ainda nem sabem o significado das cores e, quando descobrem, tiram sem problemas...Enfim, não vimos, em nenhum momento, ninguém tentando “arrebentar” a pulseira de ninguém... Ao contrário, vimos até alguns “macaquinhos” e outros bichinhos que povoam as mochilas “usando” pulseirinhas....

Em sala, temos conversado com os alunos. Explicitamos que o uso dentro de um ambiente protegido (como a escola) é diferente do que em ambientes públicos... discutimos sobre as possíveis mensagens que estão em jogo...sobre questões relacionadas ao respeito com o próprio corpo....Enfim, entendemos que o diálogo é  sempre o melhor caminho.

E, nesse sentido, contamos também com os pais. Conversar, conversar e conversar. Esta situação pode ser  uma boa oportunidade para abordar assuntos relacionados à sexualidade com os filhos. Pense nisso!

Confira mais sobre o assunto:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u662906.shtml
 
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